Introdução
O Pop!_OS é uma das distros Linux mais usadas. Ele também é uma recomendação para iniciantes, gamers e até para usuários experientes.
Mas será que vale a pena? No post de hoje, vou contar a minha experiência usando ele, da instalação até o uso no dia a dia.
Instalação
O Pop tem um dos melhores instaladores que existem, tenho que admitir. Ele é simples, bonito e tem cara de moderno. A instalação é bem simples: você só clica em alguns botões para configurar o idioma e algumas outras opções. Também dá para criptografar o disco durante a instalação, o que ajuda se você viaja muito e guarda informações confidenciais no notebook (como senhas pessoais, documentos, fotos etc.).
Pelo processo de instalação, dou nota 9/10 ao Pop. Por que não 10? Bom, ele não tem uma opção para fazer dual boot automaticamente. Se você usa o Windows, por exemplo, precisa fazer isso manualmente. Fora isso, funciona muito bem e faz um ótimo trabalho para te dar uma experiência agradável.
Primeira inicialização
A primeira inicialização do Pop também é uma ótima experiência. Você cria o seu usuário e a sua senha e entra normalmente no seu novo ambiente Gnome. O Pop te ajuda a personalizar algumas opções (modo escuro, posição da dock e contas online). São todas ótimas opções para iniciantes.
Os apps padrão também são bem integrados ao sistema, e tudo parece estar no lugar certo.
No geral, dou nota 10/10 para a pós-instalação; não vejo nada para melhorar aqui, eles simplesmente mandaram muito bem.
Detalhes que tornam o Pop!_OS especial
Esta provavelmente é a melhor parte do Pop, e é o que faz dele uma escolha muito, muito sólida. Estas são algumas características que são raras de encontrar em outras distros:
- System76 Scheduler - Você sabia que o Pop vem com otimizações de CPU por padrão? Isso mesmo. Por padrão, o Pop reduz a latência e melhora o desempenho dos apps, principalmente quando o notebook está carregando. Isso também é ótimo para jogos, já que você não precisa mais do gamemode.
- System76-Power - Por padrão, o Pop oferece três modos de bateria: Economia, Equilibrado e Alto desempenho. Isso é incrível, porque no Pop as otimizações de bateria já vêm aplicadas por padrão. Você não precisa do TLP e tem uma interface gráfica fácil para controlar o modo da bateria. Simplesmente sensacional.
- O swappiness vem definido como 10. Na maioria das distros Linux que já usei, o swappiness vem em 60. Isso significa que a sua distro começa a usar o swap quando o uso de RAM chega a 40%. No Pop, o swap só é usado quando você está usando cerca de 90% da RAM. Isso é incrível e deixa tudo muito mais fluido, já que o swap é bem lento, mesmo em um SSD NVMe.
- O kernel não é o mesmo do Ubuntu 22.04. O Pop faz um ótimo trabalho em manter o kernel atualizado. Isso é ótimo principalmente se você usa um desktop/notebook mais novo. Até onde sei, o Ubuntu 22.04 está entregando o kernel 5.15.x. O Pop!_OS já está no 6.1.x
- Atalhos personalizados. No começo, eu odiei, mas depois de experimentar o “jeito Pop”, adorei e hoje até mudo os atalhos padrão de outras distros! Por exemplo, em vez de alt + f4 (que normalmente exige as duas mãos), o Pop usa “windows + q”, que é mais acessível e fácil de usar. Em vez de ctrl + alt + t para abrir o terminal, no Pop você pode usar “windows + t”. Isso é muito bom e ajuda quando você trabalha com muita multitarefa (praticamente qualquer pessoa que trabalha com CS vai adorar).
- Atualizações de firmware fáceis. O Pop vem com uma opção dentro das configurações do Gnome para fazer atualizações de hardware. Isso é ótimo, porque te dá mais controle e mais detalhes sobre essas atualizações.
- Recuperação como opção. No Pop, você pode ter uma “cópia da ISO” nas configurações e “renovar o sistema” se um dia precisar. Pode ser útil se você quebrar alguma coisa e quiser restaurar o sistema sem usar um pendrive.
- systemd-boot em vez do GRUB. Para mim, isso não faz diferença, mas muita gente parece elogiar o systemd-boot. Acho que ele proporciona uma inicialização mais rápida e é “mais simples de configurar” (estou acostumado com o GRUB, então para mim o GRUB é mais fácil, mas quase não personalizo nada na inicialização).
- PipeWire em vez de PulseAudio. Durante anos, um dos softwares de que as pessoas mais reclamavam era o PulseAudio. Ele travava, dava pau, não reconhecia dispositivos etc. O PipeWire é o novato, mais enxuto e com latência menor. Muita gente também o elogia. Eu também prefiro o PipeWire, porque ele parece mais simples e melhor de usar do que o PulseAudio.
- Temas do Flatpak funcionando direito, e nada de Snap. Os Snaps estão sendo “empurrados” pelas distros Ubuntu, mas muita gente não gosta deles. Alguns não gostam do fato de o servidor não ser de código aberto, outros reclamam dos bugs, do espaço usado, e outros das atualizações automáticas (que não dá para desativar). Eu também prefiro os Flatpaks, e é ótimo ver que, no Pop, os Flatpaks parecem aplicativos nativos e o Flathub vem adicionado por padrão. Também é bom ver que a Pop_Shop se integra bem com os Flatpaks.
- O Pop criou o Popsicle. Isso provavelmente não recebe a atenção que merece, mas, cara! É MARAVILHOSO ter um gravador de ISO por padrão. E este é tão bonito e se integra tão bem com o Pop. Gosto mais dele do que do Balena Etcher e de outros softwares comuns no Linux para criar pendrives inicializáveis.
Pontos negativos do Pop
Embora o Pop seja incrível, também vejo alguns pontos negativos nele. A maioria é pessoal, então talvez você nem os veja como pontos negativos.
- Gnome. Eu simplesmente não gosto nada do Gnome. Parece pesado e muda o tempo todo com as atualizações grandes, quebrando extensões e a experiência do usuário. A parte boa é que o Pop está desenvolvendo o seu próprio ambiente desktop em Rust, que vai ser SENSACIONAL quando for lançado.
- A Pop_Shop usa 0,5 GB de RAM parada. Isso talvez não seja um problema em computadores com mais RAM, mas, quando você tem menos, é meio ruim. Se você tem 4 GB de RAM, por exemplo (o que ainda é comum em países de terceiro mundo), vai sentir a diferença. Dá para desativar a Pop_Shop, mas, sinceramente, o uso parada deveria ser menor.
- O tracker-miner-fs pode sugar sua CPU se você baixar pastas com muitas subpastas. Uma vez, baixei o backup de um site WordPress e o extraí. Ele tinha muitas subpastas. Notei o notebook mais lento, mas não sabia o que estava acontecendo. Quando olhei o gerenciador de tarefas, o tracker-miner estava em ação, sugando toda a CPU para tentar indexar aquelas subpastas. Tentei resetar o tracker-miner, limpar, ver o status, mas ele não respondia. No fim, desativei, já que um desenvolvedor do Pop disse que era 100% seguro.
Desempenho geral depois de 6 meses
Depois de 6 meses usando o Pop, posso dizer que fiquei bem satisfeito com o desempenho. Tive um problema em que, por alguns segundos, o mouse ficava lento e o áudio travava, mas provavelmente foi por algo que eu fiz (ou talvez porque meu hardware não lida bem com a criptografia. Estou num notebook com Ryzen 5 5500U, 12 GB de RAM e SSD NVMe de 256 GB).
Por causa dos problemas com o tracker-miner e desse travamento, decidi deixar o Pop e experimentar o Linux Mint XFCE por um tempo (adoro o XFCE e o Mint é estável o suficiente, então resolvi dar uma chance). Provavelmente vou fazer uma análise dele também depois de usar por um tempo.
No geral, usar o Pop foi um prazer, e consegui fazer muito trabalho bom nele. Trabalho com CS/DevOps, então na maior parte do tempo eu estava conversando com clientes ou usando scripts bash no servidor, e para isso o Pop funcionou bem. Para jogos, também funcionou bem, então não tenho do que reclamar e com certeza recomendaria para a maioria das pessoas. O Pop tem os melhores padrões que já vi. É a distro que menos precisei ajustar, porque ela já vem com tudo o que preciso e uso.
Conclusão
O Pop é incrível! Se você gosta do Gnome, experimente. Ele vai te dar um ótimo desempenho, e todas as otimizações que importam já vêm prontas de fábrica. A bateria vai durar bem em notebooks, e os drivers provavelmente estarão otimizados para jogos. O Vulkan também vem ativado por padrão.
Meu pai usa o Pop no notebook dele (eu que instalei) e adora.
Com certeza vou experimentar o Pop de novo quando lançarem o novo ambiente desktop deles. Enquanto isso, vou aproveitar a minha experiência com o XFCE.
Obrigado pela leitura :)